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Quem, afinal, escreve a história?
As tradições espirituais são atravessadas por um conflito emudecido que ainda permanece: às cidades como entidades espirituais que se projetam à hegemonia. É contra elas, as matas invioladas, os campos abertos, os segredos dos mares e os desafios dos desertos. Este é o ponto de vista desta narrativa: abordar tradições espirituais que nasceram em ambientes naturais de profunda hostilidade, e que receberam por isso, a alcunha de serem territórios malignos, interditos - sempre a partir do ponto de vista da "civilização": os cultos pré islâmicos na península arábica, a veneração a Seth nos desertos do Egito antigo, os relatos de benzedeiras do sertão paraibano do início do XIX e XX, os Yezidis nos vales do norte iraquiano e o deserto de gelo: xamanismo entre os povos do norte Siberiano. Os exemplos seriam inumeráveis, sendo assim, a pesquisa inicial se projeta sobre a geografia espiritual dos desertos, a relação entre território, sociedade e encantamentos como história de resistência e luta ancestral.
